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Jardim critica arbitragem de Estudiantes x Flamengo e nega que time tenha buscado empate na Libertadores


Técnico analisou a falta de criatividade, justificou as escolhas táticas e destacou a importância do equilíbrio no empate com o Estudiantes pela semifinal da Libertadores


O técnico Leonardo Jardim criticou a arbitragem de Juan Gabriel Benítez após o empate do Flamengo com o Estudiantes (ARG), pela ida da semifinal da Libertadores. Na coletiva pós-jogo, o treinador respondeu a uma pergunta de Simon Lédo, do Coluna do Fla, sobre a possibilidade de os jogadores rubro-negros cobrarem o árbitro com mais energia.

Jardim, por sua vez, reclamou dos contatos permitidos durante a partida. Além disso, defendeu uma postura mais rigorosa da arbitragem.

— Acredito que os jogadores no início ficaram revoltados, com três ou quatro faltas que não foram assinaladas, mas o árbitro não mudou com a nossa insatisfação ao agarrar e no contato. Muitas vezes, no um pra um, o adversário nem olhava a bola, mas olhava o contato e assim é difícil de jogar. Com certeza queremos que os árbitros apitem bem. Vejo futebol em outros países e competições, que quando os jogadores vão falar com o árbitro, ele pega o cartão (e mostra). Por que a gente precisa de atitude agressiva diante do árbitro? Ele tem que analisar bem na minha opinião. E não acredito que eles sejam influenciados pelos jogadores -, disse.

JARDIM ADMITE DIFICULDADES DO FLAMENGO NA CRIAÇÃO

O Flamengo terminou o empate por 0 a 0 sem acertar uma finalização no gol defendido pelo goleiro Muslera. Desse modo, Jardim reconheceu que o time não conseguiu produzir ofensivamente como pretendia, mas atribuiu parte das dificuldades à marcação do Estudiantes e ao estilo de arbitragem.

— Com certeza não chutamos ou atacamos como prendíamos, também por mérito do Estudiantes. Como falei, muitas vezes fomos anulados com duelos e faltas, e isso matou o jogo. O árbitro foi dar um amarelo só no segundo tempo. Foi difícil jogar. Mas já sabíamos porque já jogamos aqui na fase de grupos. Foi uma luta muito grande, poucas situações de gol dos dois lados, porque é difícil jogar -, opinou.

TÉCNICO DIZ QUE FLAMENGO NÃO BUSCOU EMPATE

Apesar da falta de criatividade e da pressão sofrida em La Plata, Jardim afirmou que o Flamengo não entrou em campo com o objetivo de garantir a igualdade. O treinador destacou a necessidade de competir em um confronto de alta exigência física e valorizou o equilíbrio defensivo para manter a decisão aberta no Maracanã.

— O Flamengo não veio por um empate. E você conhece muito bem a Liebertadores. Esses jogos têm uma dificuldade grande, e temos que ser competitivos, não podemos ser românticos. Temos que ser efetivos, com certeza que não jogamos o que gostaria que jogassem, sinceramente. Mas dentro do que foi o jogo, da luta, foi difícil jogar. Por isso eu aceito que nós, que somos ax equipex que faz mais gols nas temporadas, que produz mais situações de ataque, hoje não conseguimos por um mérito do adversário. E pelo impacto físico, que foi tão grande, com umas 40 faltas para cima. Muitos duelos, corpo a corpo, o que gerou dificuldade principalmente aos nossos jogadores mais técnicos. Perdemos a competitividade, mas o equilíbrio não. Isso era importante, não podíamos ir para um segundo jogo e entregar o primeiro. A luta continua no Maracanã e queremos ser mais competentes -, afirmou.

VEJA OUTRAS RESPOSTAS DE LEONARDO JARDIM:

INTENSIDADE FÍSICA DO ESTUDIANTES

Jardim avaliou que o estilo de jogo do adversário dificultou a circulação da bola e prejudicou as características do Flamengo. O treinador também afirmou que a equipe já conhecia o cenário que encontraria em La Plata.

“Foi um jogo dentro do que a gente esperava. Extremamente agressivo. Mais do que competitivo, agressivo. Muito difícil de jogar, vocês viram, muitos contatos. O árbitro permitia agarrar, dar porrada, deixou andar. Para nós, que gostamos de ter a bola, houve dificuldades. O contato não permitia a gente ter a bola mais vezes, mas já sabíamos disso, como o árbitro apitava, o que o adversário pretendia fazer.”

EMPENHO DOS JOGADORES E PRÓXIMOS COMPROMISSOS

“Acho que os jogadores pelo menos no empenho, na atitude, nos duelos, se marcaram presentes. Acabaram os primeiros 90 minutos, agora com certeza vamos pensar no Bahia. Depois, preparar a segunda parte dessa eliminatória em casa, no Maracanã, com o nosso reforço que é a nossa torcida.”

DEMORA NAS ALTERAÇÕES E ENTRADA DE FREITAS

“Grande parte do jogo tinha uma presença física muito grande, nos duelos e nas bolas paradas, vocês sabem disso. No nosso elenco nem todos são tão efetivos nas bolas paradas, e com certeza as substituições tinham que ser muito cirúrgicas. Isto é, não podíamos perder a altura porque, um exemplo, se mantenho esses dois ou três jogadores no banco, tirasse jogadores referências nas bolas paradas, cada cruzamento e escanteio já era um problema, se tivéssemos mais jogadores pequenos, ainda era pior. E vocês sabem disso. Por isso optamos por manter a equipe organizada com essas valências importantes quando jogamos na Argentina. Mantivemos a estrutura sólida. Quando tiramos o Paquetá, colocando o Freitas, tivemos que baixar a estrutura. A parte do Pedro e do BH, mantivemos a estrutura para ter um jogo interior melhor e mais agressivo. O Pedro também teve dificuldade de faze ligação por dentro. Por isso equilibramos para não desmanchar o que estava planejado. Não quisemos arriscar mudar porque aqui o adversário é muito forte.”

ESCOLHA ENTRE BRUNO HENRIQUE E PEDRO

O técnico justificou a escalação de Bruno Henrique e como titular e explicou por que Pedro encontrou dificuldades após entrar no segundo tempo. Jardim relacionou a decisão às características dos atacantes e ao tipo de marcação adotado pelo Estudiantes.

“Você sabe melhor que ninguém que, nessa caminhada, somos uma equipe que está invicta, temos a melhor campanha da Libertadores dos últimos anos e, pra jogar a Libertadores, tem que ter certa agressividade, e o Bruno fez isso. O Pedro é um jogador que liga o jogo de outra forma, mas, quando apresenta este tipo de defesa, que é agressiva nos duelos, vocês viram que, em 20 minutos, fresco, ele teve dificuldade de ter a bola, porque não é a característica dele. Ele é um jogador que flutua no espaço e não teve esse espaço, e por isso nossa opção do Bruno, que não é surpreendente, porque é o que tem acontecido ultimamente.”

DESFALQUES DE JORGINHO E ARRASCAETA

“Acho que nossa força é o nosso coletivo. Jorginho é um jogador muito importante para nós, Arrascaeta também não é necessário falar a importância que tem para nós. Eu vi, no planejamento deste jogo, os 11 que jogaram aqui, neste estádio, contra este adversário (na fase de grupos), há quatro ou cinco meses. Jogaram Evertton (Araújo) e Jorginho no meio-campo, a zaga com Vitão e Danilo, e na frente o Paquetá também não jogou. Estamos falando de cinco ou seis jogadores que mudaram, e o resultado foi o mesmo. Isso quer dizer que temos elenco, temos jogadores para arrematar as situações e as oportunidades do futebol. A gente não pode lamentar os que não estão. Temos que rentabilizar e apoiar aqueles que estão disponíveis para lutar pela camisa do Flamengo.”

ANÁLISE SOBRE GUIDO CARRILLO

Jardim destacou a capacidade do atacante do Estudiantes no jogo aéreo e relembrou a passagem do argentino pelo período em que o treinador trabalhava no Monaco. O técnico explicou como a pressão defensiva dificultou as finalizações de cabeça do centroavante.

“Carrillo é um jogador especialista no jogo aéreo. Foi meu jogador, vim à Argentina buscar para levá-lo para o Monaco. Era um especialista, na frente do ataque tínhamos Falcao (García), Mbappé, Valère (Germain) e Carrillo. Mas o especialista do jogo aéreo, principalmente contra equipes fechadas, era Carrillo. Porque em cruzamentos, bolas paradas, fim de jogo dentro da área ele era e continua a ser muito forte. Não é fácil marcá-lo. Hoje ganhou algumas bolas, mas sempre com um duelo muito forte, por isso cabeceou para a torcida muitas vezes. Porque tinha logo uma pressão sobre a bola, não subia sozinho para cabecear. Isso era difícil para nossos jogadores, ter o impacto que tem, porque ele é um dos melhores do mundo no jogo aéreo.”

O QUE FALTOU PARA O FLAMENGO

“Faltou atacar um pouco mais e fazer os gols que não fizemos.”

ATUAÇÃO DE ROSSI

“O Rossi esteve bem, acaba por fazer uma defesa mais importante, depois foram defesas que são o papel dele. Na saída de bola também procurou sempre ter a bola no chão, que é nossa forma de jogar. Quando não tinha opção, dava na frente e pronto. Acho que é a competência que ele tem mostrado e eu confio totalmente nas suas capacidades.”

POR QUE O FLAMENGO FOI SUPERADO NOS DUELOS

“Competimos porque equiparamos algumas situações de duelos, no alto. Perdemos um pouquinho de qualidade técnica. Às vezes no futebol os baixinhos não podem jogar todas. Eu gostaria que os baixinhos fossem altos. Mas não, são baixinhos. E nesse jogo às vezes não dá para ter todos os baixinhos. Hoje, por exemplo, se eu tivesse que colocar o Varela ou mais dois outros jogadores no jogo, poderia. Mas perderíamos o jogo aéreo, em escanteios, laterais, e o adversário é especialista nisso, especialmente aqui em sua casa. Tenho visto muitos jogos aqui na Argentina, e quem abdica de ter uma equipe equilibrada acaba sofrendo muito nesse tipo de lance. Joga melhor, mas perde na bola parada. E insisto: o árbitro não deixou jogar”, iniciou.

“Vi situações que o árbitro nem marcou falta e o adversário agarrava, deitava no chão, dava o contato em vez de ir na bola e isso é difícil de jogar. Mas só quem esteve lá pode perceber esse tipo de situação. Eu acredito que no Maracanã o árbitro vai ser mais rigoroso nesse tipo de situação, porque assim vira rúgbi”, finalizou.

Escrito por Coluna do Fla

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