Trio carioca soma mais jogadores estrangeiros do que o Flamengo, mas apoiou a medida aprovada pela CBF
A votação na CBF sobre a redução gradual de estrangeiros no Brasileirão expôs uma contradição entre os clubes cariocas. Botafogo, Vasco e Fluminense votaram a favor da medida, mesmo com elencos que reúnem mais jogadores estrangeiros do que o do Flamengo. Contudo, o Rubro-Negro foi o único representante do Rio de Janeiro a votar contra a decisão.
QUANTOS ESTRANGEIROS TÊM OS CLUBES CARIOCAS?
O Botafogo lidera o número de gringos entre os times do Rio, com 12 jogadores estrangeiros no elenco. Na sequência, aparecem Flamengo e Vasco, ambos com dez atletas na mesma condição. Já o Fluminense soma nove estrangeiros contratados. Assim, os quatro clubes cariocas somam, ao todo, 41 jogadores estrangeiros.
COMO OS CARIOCAS VOTARAM NA REDUÇÃO DE ESTRANGEIROS?
Mesmo com esse número elevado de gringos, Botafogo, Vasco e Fluminense apoiaram a redução gradual aprovada pela CBF. Dessa forma, o trio carioca contribuiu diretamente para a aprovação de uma regra que, no futuro, também vai limitar os próprios elencos. O Flamengo, por outro lado, rejeitou a proposta na assembleia com os demais clubes da Série A e da Série B.
QUAIS OUTROS CLUBES VOTARAM CONTRA A REDUÇÃO?
Além do Flamengo, apenas Bahia e Londrina se posicionaram contra a redução de estrangeiros. Portanto, o Rubro-Negro integrou um grupo de apenas três clubes contrários à mudança em todo o país. Mesmo assim, a posição isolada entre os cariocas reforça o contraste com Botafogo, Vasco e Fluminense.
O QUE ESSA CONTRADIÇÃO REVELA?
A decisão de Botafogo, Vasco e Fluminense chama atenção justamente pelo tamanho dos próprios elencos estrangeiros. Afinal, os três clubes já formaram grupos internacionais robustos antes da aprovação da nova regra. Entretanto, ao votar pela redução, o trio dificulta a montagem de elencos parecidos por parte de outras equipes nos próximos anos.
A regra aprovada pela CBF reduz o número de estrangeiros relacionados por partida, não o total de contratos do elenco. Assim, Botafogo, Vasco e Fluminense preservam boa parte da vantagem já construída, enquanto times menores perdem a chance de repetir o mesmo caminho no futuro. De qualquer forma, a votação carioca reforça a percepção de que a mudança favorece quem já está estabelecido no novo modelo.
Ainda assim, o Flamengo optou por um caminho diferente ao votar contra a redução. No entanto, a decisão do clube passa mais pela defesa de um mercado aberto do que pela preservação de um privilégio já conquistado, segundo a própria fala pública de dirigentes ligados ao Rubro-Negro sobre o tema.
O QUE DISSE JOSÉ BOTO AO COLUNA DO FLA SOBRE O TEMA?
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo —, disse Boto.
— Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira —, acrescentou o dirigente português.


