Treinador do Palmeiras questionou a qualidade dos campos naturais no Brasil e citou o técnico do Flamengo ao justificar a preferência pela superfície artificial
Abel Ferreira voltou a colocar os gramados do futebol brasileiro em discussão após a vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre o Vasco, no domingo (01), pela semifinal da Copa do Brasil. Durante entrevista coletiva, o treinador português comentou as declarações de Leonardo Jardim sobre o impacto dos campos sintéticos e defendeu a utilização desse tipo de superfície diante das condições de parte dos estádios do país.
Ao explicar o posicionamento, o comandante do time alviverde citou diretamente o técnico do Flamengo e comparou a qualidade dos gramados naturais brasileiros com a superfície artificial utilizada pelo Palmeiras. Além disso, Abel Ferreira questionou as condições de campos com buracos e irregularidades, argumentando que a preferência pelo gramado natural depende da qualidade oferecida aos jogadores.
— O meu conterrâneo Leonardo Jardim, de quem gosto muito, disse que prefere bons gramados do que sintéticos. Eu também prefiro. E que recuperar de sintéticos custa mais… E recuperar os jogadores naquele campo em que enfrentamos o Santos? É mais fácil correr na areia, em buracos, ou pelo menos num tapete aqui que é direitinho? -, questionou.
Na sequência, Abel reforçou que a qualidade do gramado precisa ser considerada nessa discussão. O treinador também mencionou o intervalo entre as partidas e a programação após as Datas FIFA ao apresentar críticas ao calendário do futebol brasileiro.
— É mais fácil recuperar em gramados top, concordo. Se for top para todos, concordo. Agora, a qualidade de 80% dos gramados que temos, prefiro jogar no sintético, com pelo menos três dias de recuperação, e que, depois das Data Fifa não haja jogos -, acrescentou.
O QUE DISSE LEONARDO JARDIM SOBRE GRAMADOS SINTÉTICOS?
A declaração de Abel Ferreira veio após Leonardo Jardim abordar o assunto na entrevista coletiva depois da vitória do Flamengo por 4 a 1 sobre o Vasco, na quinta-feira (29), pelo Campeonato Brasileiro. O clássico aconteceu no Estádio Nilton Santos, que utiliza gramado sintético. Na ocasião, o treinador rubro-negro explicou a preferência por campos naturais bem conservados e destacou as diferenças entre as superfícies.
Jardim, porém, não defendeu o gramado natural em qualquer circunstância. O português reconheceu que uma superfície artificial pode ser uma opção melhor quando o campo natural apresenta condições ruins. Ainda assim, o comandante do Flamengo apontou o desgaste e as dificuldades de recuperação como pontos importantes nessa comparação.
— Eu falo que prefiro um bom gramado natural do que um bom gramado sintético. Claro que, se o gramado for ruim, eu prefiro o sintético, mas o sintético tem um impacto muito grande em termos de desgaste e recuperação. Agora, o Vasco vai ter uma dificuldade maior para recuperar pro próximo jogo. O impacto em termos físicos é muito maior do que no gramado natural -, explicou.
DEBATE SOBRE GRAMADOS GANHA DESTAQUE NO BRASIL
As declarações dos dois treinadores colocam em evidência uma discussão recorrente no futebol brasileiro. Jardim ressalta o desgaste físico associado aos gramados sintéticos e prioriza campos naturais em boas condições. Abel, por outro lado, argumenta que a baixa qualidade de parte dos gramados naturais também representa um problema e justifica a utilização de superfícies artificiais.
Além disso, Abel abordou questões relacionadas à organização do calendário, incluindo o intervalo entre partidas e a programação após as Datas FIFA. O treinador defendeu condições adequadas para a disputa das competições e criticou a realidade de um futebol que, na avaliação dele, ainda convive com muitos gramados naturais de baixa qualidade.
Dessa forma, o debate vai além da preferência por uma superfície específica. A discussão também envolve a manutenção dos campos e a necessidade de oferecer condições adequadas para a prática do futebol em diferentes estádios do país.


