José Boto falou com o Coluna do Fla sobre a decisão da CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) definiu, na última segunda-feira (21), que o Brasileirão terá limite de estrangeiros gradualmente nas próximas temporadas. Voto vencido na votação entre os clubes, o Flamengo não está satisfeito com a decisão. Em entrevista exclusiva com a repórter Mônica Alves, do Coluna do Fla, o diretor de futebol rubro-negro José Boto lamentou a decisão e vê o enfraquecimento da liga local com a medida.
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo —, disse Boto.
— Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira —, acrescentou o dirigente português.
SUGESTÃO DE BOTO
Ainda na conversa com o Coluna do Fla, Boto deu outra sugestão para a CBF. Atualmente, um jogador não pode mudar de equipe após fazer 12 jogos. Para o dirigente, essa medida precisa acabar, como acontece em outras ligas ao redor do mundo.
— Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro —, opinou Boto.
— Ou seja, como é óbvio, os grandes clubes não podem… não vão contratar jogadores que não fizeram os 12 jogos, vão querem contratar os melhores jogadores dos outros clubes. Isso sim parecia-me uma medida acertada para a liga brasileira —, acrescentou.
CENÁRIO PESSIMISTA
Por fim, José Boto reforça o respeito da instituição Flamengo à decisão da CBF, mas mostra preocupação com o futuro e as finanças do futebol brasileiro. O cartola reforça que a medida não impedirá as saídas dos jovens para a Europa e também não fortalecerá a Seleção Brasileira, que é um dos objetivos da decisão.
— Embora, como é óbvio, respeite, e vamos ver se daqui a uns anos isso vai dar resultado ou não, embora a mim, com a experiência que tenho no futebol, não me parece que isso vá acontecer, porque, como disse, os melhores jogadores brasileiros vão continuar saindo muito cedo e o fato de não se poder utilizar tantos estrangeiros não vai aumentar a qualidade do jogador brasileiro que fica —, encerrou Boto, em bate-papo com o Coluna do Fla.
O QUE A CBF DECIDIU?
Atualmente, os times podem inscrever nove jogadores por partida no Brasileirão. A redução será gradual até 2030: oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. O Flamengo, por exemplo, possui dez estrangeiros no atual elenco. O Rubro-Negro e o Bahia foram os únicos a votar contra a medida.


