Ex-presidente obteve liminar na segunda tentativa e volta a participar da política rubro-negra
O ex-presidente Rodolfo Landim obteve na Justiça do Rio de Janeiro o restabelecimento da participação na vida política do Flamengo. A liminar saiu na quinta-feira (22). Com ela, Landim deixa de cumprir, por ora, o afastamento que o clube lhe impôs em maio.
O juiz acolheu as alegações de erros processuais apresentadas pela defesa. Os advogados apontaram falhas nos prazos e no rito do procedimento interno conduzido pelo Rubro-Negro.
Além disso, a defesa sustentou que Landim exerce papel apenas consultivo no Confiança, de Sergipe. Na prática, o ex-presidente volta a frequentar a sede social e a participar das reuniões e votações internas. A liminar, porém, tem caráter provisório e não encerra a ação.
Por que Landim foi afastado dos poderes do Flamengo?
O conflito nasceu com a reforma do artigo 77 do estatuto. O Conselho Deliberativo aprovou a emenda em 3 de fevereiro, a partir de proposta do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Antes, o texto barrava apenas associados com cargo de direção em outro clube. A nova redação ampliou o veto a investidores, acionistas, gestores e consultores de outras agremiações ou SAFs, com ou sem remuneração.
Landim é sócio da LG2 Consultoria e Gestão Esportiva, empresa que participa da estruturação da SAF do Confiança. Com base na nova regra, o clube o notificou do afastamento em 20 de maio. Assinaram o ofício os presidentes do Conselho de Administração, do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral.
Desde então, o ex-presidente nega ocupar cargo no clube sergipano. Ele também afirma que a mudança estatutária mirou uma possível candidatura à presidência rubro-negra.
Liminar chega depois de derrota na Justiça em julho
Landim acionou a Justiça em julho. Naquele mês, a 22ª Vara Cível da Capital negou o primeiro pedido de tutela de urgência. Na ocasião, o juiz não enxergou irregularidade na reforma do estatuto.
O magistrado também analisou o contrato entre a SAF do Confiança e a LG2. Para ele, a atuação de Landim ia além de uma consultoria. Por isso, a defesa mudou a estratégia e passou a atacar o rito do processo interno.
Em setembro, o embate subiu de tom. Segundo a ESPN, o Flamengo afirmou em petição que Landim tentava “tumultuar o bom andamento do processo”. Por sua vez, o ex-presidente citou o caso do vice-presidente Marcos Motta, advogado com atuação profissional junto a clubes e entidades esportivas.
O tema já mobilizava associados. Em agosto, grupos políticos pediram o afastamento de Motta e usaram o impedimento de Landim como comparação.
Disputa ganha peso com a eleição de 2027 no horizonte
Landim presidiu o Flamengo entre 2019 e 2024. Na eleição de dezembro de 2024, Bap derrotou Rodrigo Dunshee, candidato apoiado pelo então presidente. Desde a saída, Landim exerce liderança sobre conselheiros de oposição à atual gestão.
A próxima eleição presidencial do clube acontece em 2027. Assim, a liminar devolve ao ex-presidente voz ativa nas articulações internas durante a reta que antecede o pleito.
Entretanto, o julgamento do mérito ainda definirá a validade do afastamento e o alcance da regra estatutária. Além disso, o clube ainda pode contestar a decisão provisória.
O novo capítulo também chega em semana turbulenta. Na mesma quinta-feira, o Flamengo caiu diante do Estudiantes (ARG) na Libertadores, enquanto a política da Gávea ganhava mais um front fora de campo.



