Atuação diante do Estudiantes (ARG) escancara as limitações de um elenco estrelado; agora, o Brasileirão vira a última oportunidade de título, mas o planejamento exige mudanças
O Flamengo tinha elenco, torcida e a vantagem de decidir a semifinal da Libertadores no Maracanã. Faltou futebol para justificar o favoritismo. Diante do Estudiantes (ARG), o time rubro-negro passou 180 minutos sem demonstrar superioridade consistente e se despediu da competição nos pênaltis.
O empate sem gols na Argentina parecia favorável pela possibilidade de decidir em casa. No entanto, o time de Alexander ‘Cacique’ Medina já havia demonstrado força como visitante. O Estudiantes não se intimidou com mais de 72 mil torcedores no Maracanã, suportou a pressão e mostrou que sabia exatamente como disputar a semifinal.
POSSE DE BOLA SEM EFETIVIDADE
O Flamengo não foi superior nem quando teve um jogador a mais durante boa parte do confronto decisivo. A equipe trocou passes, acumulou posse de bola, mas pouco ameaçou o gol adversário. Afinal, controlar a bola sem criar chances perigosas significa apenas produzir números, não futebol.
A atuação foi vergonhosa e incompatível com a importância da partida. Faltaram criatividade, intensidade e coragem para assumir o controle. Diante de um adversário tecnicamente inferior, o Flamengo se acovardou e não conseguiu transformar a qualidade individual em vantagem dentro de campo.
Leonardo Jardim também demorou a mexer na equipe, enquanto os principais nomes não corresponderam. Lucas Paquetá abusou das jogadas de efeito, produziu pouco e ainda desperdiçou uma cobrança na disputa por pênaltis. Carrascal, destaque em outros momentos da temporada, também passou em branco nos dois confrontos.
Pedro atravessa uma fase péssima e não conseguiu balançar as redes. Jorginho, referência de liderança e dono de um histórico impecável nas cobranças desde que chegou ao clube, também desperdiçou um pênalti decisivo. Muslera defendeu as cobranças de Paquetá, Jorginho e Bruno Henrique e confirmou a classificação argentina.
O ESTUDIANTES SOUBE SOFRER
O futebol nem sempre premia o elenco mais caro ou a camisa mais pesada. O Estudiantes entendeu o jogo, suportou a pressão e executou o próprio plano. Já o Flamengo teve recursos técnicos de sobra, mas não encontrou soluções para superar a marcação adversária.
A eliminação deixa mais uma semifinal continental para esquecer. Não foi apenas uma noite ruim nas cobranças de pênaltis, mas o desfecho de dois jogos em que o Flamengo praticamente não produziu diante de um adversário aplicado. Tratar o resultado como azar seria ignorar o problema que realmente preocupa: a incapacidade de jogar à altura das próprias ambições.
O BRASILEIRÃO E A NECESSIDADE DE REPLANEJAR
Agora, resta ao Flamengo concentrar as forças no Campeonato Brasileiro. Líder, com um ponto de vantagem sobre o Palmeiras, finalista da Libertadores, o Rubro-Negro ainda tem a oportunidade de conquistar o decacampeonato nacional.
É um baita troféu, que merece ser valorizado. Porém, depois da eliminação continental, também assume um caráter de ‘consolação’. O título pode salvar a temporada esportivamente, mas não apaga os erros expostos diante do Estudiantes.
Além de lutar pela taça, o Flamengo precisa replanejar os próximos passos. São ajustes sensíveis que exigem avaliação da comissão técnica, do elenco e das decisões tomadas durante a temporada. Mudanças precipitadas não resolvem tudo, mas ignorar os sinais dessa eliminação seria ainda pior.
O protagonismo do Flamengo não se sustenta apenas com investimento e grandes nomes. A equipe precisa voltar a transformar superioridade técnica em desempenho, especialmente nos jogos que definem temporadas. O Brasileirão ainda pode trazer um desfecho positivo, mas a queda na Libertadores exige respostas.


